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Eneagrama no ESTADO DE MINAS

.: 27 / Abr / 2008

 ESTADO DE MINAS

 EMPREGO

 

ENEAGRAMA

Vícios corporativos

Quando não são bem dosadas, as emoções podem dificultar as relações no ambiente de trabalho

Márcia Maria Cruz

 

Raiva, vaidade, inveja, avareza, gula, luxúria e indolência são
pecados capitais que podem ser encontrados no universo corporativo. Somam-se a eles o orgulho e o medo, dois pecados venais do cristianismo. Esses vícios derivam de competências emocionais não-dosadas.

 

Em muitos casos, o profissional  se deixa tomar por esses sentimentos, sem se dar conta do prejuízo para o trabalho em grupo. Um mecanismo para identificar tais comportamentos é o eneagrama, um sistema de

tipologias composto por nove padrões de comportamento, cada qual baseado em uma emoção. Trata-se de uma abordagem de um dos ramos da psicologia. Esses pecados são baseados nas paixões humanas, descritas desde a filosofia grega clássica.

 

O psicoterapeuta corporal e consultor de desenvolvimento pessoal Márcio Schultz, do Instituto Eneagrama, esteve em Belo Horizonte ministrando o curso Eneagrama aplicado ao dia-a-dia. O objetivo é oferecer instrumentos aos profissionais para identificarem os vícios e buscar corrigi-los. As pessoas

adeptas ao método fazem uma investigação de como os novos elementos estão presentes em suas vidas e em que situações são benéficos ou prejudiciais.

 

Já no âmbito profissional, ensina como lidar com as diferentes personalidades da equipe e ter os melhores colegas de trabalho; como criar relacionamentos harmônicos entre colaboradores e reconhecer o que os motiva; e como fortalecer as relações em equipe, criando um maior comprometimento.

 

Além de ser uma ferramenta de gerenciamento de pessoas, o eneagrama também pode ser útil no âmbito pessoal, na medida em que ajuda na identificação de traços negativos que impedem o potencial crescimento. O método estabelece uma integração entre a perspectiva instintiva, a emocional e a mental, e funciona como uma ferramenta de autoconhecimento.

 

Busca por equilíbrio

 

"O objetivo é levar o funcionário a fazer o que é preciso, mas com a colaboração dele. Uma postura entusiástica" - Hélio Lôredo, diretor da Clínica Odontus

 

O diretor da Clínica Odontus Hélio Lôredo, de 37 anos, busca no sistema de eneagrama uma ferramenta para melhor se relacionar com sua equipe. “Primeiro procuro uma melhor percepção de mim e depois de quem trabalha comigo”, afirma. Para ele, o gestor precisa sempre fazer uso de ferramentas para lidar com sua equipe de forma a motivá-la. “O objetivo é levar o funcionário a fazer o que é preciso, mas com a colaboração dele. Uma postura entusiástica. A colaboração vem a partir da satisfação de cada um. Se for um gestor empático e conseguir compreender o outro, conseguirei criar uma equipe adequada, o que vai refletir na produtividade”, afirma.O psicoterapeuta corporal e consultor de desenvolvimento pessoal Márcio Schultz lembra que é comum encontrar, por exemplo, chefes que deixam o alto nível de exigência se transformar em um vício emocional: a raiva. Como ele espera muito de si próprio e de outras pessoas, torna-se perfeccionista, entrando em um nível de cobrança exagerado. “Para essas pessoas, é certo ou errado; preto ou branco. O indivíduo se torna muito dicotômico”, comenta.

 

COMPETÊNCIA Todas as pessoas têm um pouco de cada um desses comportamentos, mas alguns deles se sobressaem. Na dose certa tais emoções se transformam em competência. No processo do eneagrama, a primeira parte consiste no diagnóstico, quando se faz a identificação das emoções e das competências e de como elas estão sendo aplicadas no trabalho. Depois, a busca pelo equilíbrio se dá em dois passos: quando uma das emoções está em demasia significa que outra está em menor quantidade. Portanto, é preciso buscar o equilíbrio. O outro passo consiste em recuperar a capacidade de autonomia. “A pessoa passa a vibrar em outras freqüências emocionais. Quando um sentimento se torna um vício, ela perde a utonomia, pois passa a ser refém dessa emoção”, ressalta.  A psicóloga Jacqueline Barcelos de Castro, de 37, pretende usar o eneagrama como ferramenta de trabalho na RH Time Recursos Humanos , empresa que dirige. “O método ajuda a conhecer melhor a equipe e também é um recurso para os processos de seleção”, considera. Para ela, é fundamental conhecer o quadro de funcionários para compor a equipe de forma equilibrada. “Há vagas para todos: os mais e menos  ousados.” Ela lida direta e indiretamente com 900 colaboradores.

 

ENEAGRAMA

Tipos de comportamento

 

O perfeccionista (tipo 1)

Vício emocional: a raiva

As pessoas do tipo 1 são centradas na ação, têm um senso prático exigente, que dá prioridade às tarefas a serem realizadas. O vício emocional é a raiva, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude esforçada e auto-imagem virtuosa – “eu estou fazendo a minha parte”. O nome perfeccionista vem do alto nível de exigência, que as faz serem conhecidas como "cri-cris". Se isso tem que ser feito, não interessa se você gosta ou não, tem que ser feito...

 

O prestativo (tipo 2)

Vício emocional: o orgulho

As pessoas são centradas na emoção, têm uma percepção aguda dos outros, tornando-se conquistadoras, que sabem como conseguir o que querem das pessoas. O vício emocional é o orgulho, que, por ser inconsciente, é justificado com a atitude solícita e a auto-imagem bem-intencionada. Essa emoção sustenta um comportamento baseado na sensação de auto-suficiência e capacidade. A atitude comum é a de “eu posso, eu sei, eu faço”.

 

O bem-sucedido (tipo 3)

Vício emocional: vaidade

As pessoas que adotaram o tipo 3 são centradas na ação ou no planejamento, visando ao reconhecimento. Têm uma visão mercantilista, que os guia na sua perseguição pelo sucesso. O vício emocional é a vaidade, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude progressista e auto-imagem eficiente. O nome bem-sucedido vem do seu apego à imagem e ao valor que ela traduz; o sucesso é um meio de conquistar valor próprio.

 

O romântico (tipo 4)

Vício emocional: inveja

As pessoas que adotaram o tipo 4 são pessoas centradas na emoção, sensíveis ao ambiente e emocionalmente instáveis. A sensível percepção emocional faz delas pessoas que vêem o que a maioria não vê. O vício emocional é a inveja, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude insatisfeita e auto-imagem de singularidade.

 

O observador (tipo 5)

Vício emocional: avareza

As pessoas que adotaram o tipo 5 são centradas na mente, têm uma curiosidade pelo entendimento, tornando-se planejadores extremamente racionais. O vício emocional é a avareza, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude pouco expressiva e auto-imagem lógica e prudente.

 

O questionador (tipo 6)

Vício emocional: medo

As pessoas que adotaram o tipo 6 são centradas na ação ou na emoção, visando ao controle. São atentas e desconfiadas, embora não necessariamente expressem isso. Preferem se preparar a atirar-se de improviso. O vício emocional é o medo, que, por ser inconsciente, é justificado com a auto-imagem

de precavido e realista.

 

O sonhador (tipo 7)

Vício emocional: gula

As pessoas que adotaram o tipo 7 são centradas na mente; têm uma agilidade mental para lidar com várias coisas ao mesmo tempo, dando prioridade ao prazer. O vício emocional é a gula, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude entusiasta e auto-imagem de hábil improvisador. “Faço do limão uma limonada.”

 

O confrontador (tipo 8)

Vício emocional: luxúria

As pessoas que adotaram o tipo 8 são centradas na ação, têm uma facilidade em mandar e liderar, dando prioridade à realização. O vício emocional é a luxúria, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude dominadora e autoimagem realizadora. Tudo ao seu redor tem de ser intenso e desafiador, numa

atitude de “dar um boi para não entrar e uma boiada para não sair”.

 

O preservacionista (tipo 9)

Vício emocional : indolência

As pessoas que adotaram o tipo 9 são centradas na emoção ou na mente, têm uma atitude mediadora, dando prioridade ao bem comum. O vício emocional é a indolência, que, por ser inconsciente, é justificada com a atitude tranqüila e autoimagem conciliadora. “Se cada um ceder um pouco, todos ficarão bem.”

 

Fonte: Instituto Eneagrama — www.eneagrama.com.br

 

 


Fonte: ESTADO DE MINAS

 
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