O Instituto Eneagrama, parceira da AEMFLO/CDL-SJ, promoveu cursos e treinamentos na sede da associação e utilizou uma inovadora ferramenta de gestão de pessoas e competências emocionais: o Eneagrama. Eneagrama é uma técnica internacionalmente reconhecida que identifica o estilo de atuação, os elementos motivadores e os desmotivadores para indivíduos e equipes profissionais. Por meio da compreensão das emoções presentes nos relacionamentos, auxilia os gestores na tomada de decisões. O resultado comprovado é engajamento, aumento da satisfação pessoal e da produtividade. Líderes, empresários, profissionais liberais e todos os que anseiam pelo aperfeiçoamento contínuo têm muito a ganhar com a ferramenta.
9 maneiras de pensar, sentir e agir
O Eneagrama descreve nove maneiras diferentes de pensar, sentir e agir e como elas influenciam no dia-a-dia. Destaca habilidades de gestão de pessoas e contribui para a melhoria das relações interpessoais.
Aplicações práticas
O Eneagrama gera uma aprendizagem transformadora e eficaz para quem lida com competências humanas.
Assim possibilita criar maior identificação dos profissionais com suas funções. Pode ser aplicado, por exemplo, no gerenciamento de conflitos e nos processos de seleção de colaboradores. A metodologia também permite identificar o perfil do cliente e comunicar-se com ele de forma mais assertiva. Em outros países, o Eneagrama é utilizado por organizações do porte da, Boeing, Disney, IBM, Avon, General Motors, Motorola, 3M, Procter & Gamble, Sony, Universidade de Stanford, entre outras. O Serviço Postal americano o utiliza para auxiliar seus funcionários na resolução de conflitos. No Brasil, a técnica é estudada nas pós-graduações de Economia e Administração da Fundação Getúlio Vargas
R.E. - Como as emoções se manifestam na gestão de pessoas?
Márcio - As emoções estão presentes a todo momento e em tudo o que fazemos, e não há nada mal nisso. O problema é quando elas começam a influenciar demasiadamente a consciência do gestor. Isso ocorre normalmente pela ignorância que temos a respeito de nossas emoções. Por exemplo: um gestor pode se sentir desconfortável quando é pego de surpresa e não tem uma solução imediata. Para evitar este desconforto, desenvolve um comportamento precavido, buscando prever as possíveis dificuldades e desenvolver estratégias alternativas, ou seja, um “plano B”. Este comportamento é motivado pela Competência Emocional da “Prudência”. Para este indivíduo não é um esforço ter plano B para coisas que lhe são importantes. Torna-se natural desenvolver um raciocínio de “Ação e Reação” - se faço isso pode acontecer aquilo. Isso porque ele está estimulado emocionalmente pela prudência. Até aí tudo bem, mas excesso de prudência vira “medo” e este mesmo indivíduo começa a deixar de fazer aquilo que gostaria de arriscar para manifestar um comportamento controlador, evitando tudo que não possa ser previsível e estabelecendo normas, regras e procedimentos que mais engessam a criatividade e espontaneidade dos membros da equipe.
R.E. - Como esse gestor é conhecido pela empresa?
Márcio - Nas empresas este gestor é conhecido como questionador, ...mas se isso acontecer...e se, e se... O mais surpreendente é que todos percebem que ele está sendo exageradamente prudente, mas ele não pensa assim e acredita que é o normal. Ele agora é vítima do Vício Emocional do Medo.
R.E. - Qual o diferencial do curso Eneagrama na Gestão de Pessoas?
Márcio - Diferentemente da maioria dos cursos e treinamentos voltados à gestão de pessoas, este programa busca trazer au-toconhecimento aplicado à gestão. Na prática oferecemos um trabalho onde o gestor pode reconhecer quais são suas principais
competências emocionais e como potencializá-las na expressão de seu próprio estilo de gestão, como também oferecemos um olhar diferenciado para pessoas, com foco nos talentos delas, compreendendo como eles podem estar escondidos pelos Vícios Emocionais.
R.E. - O que muda para um gestor?
Márcio - Muda a maneira com que ele olha para si e para os outros, tornando-se mais consciente da influência das emoções na gestão de pessoas. Muitos dos depoimentos são nesta direção: ´...puxa, não estava percebendo isso em mim...´ ou ainda, ´...trabalho faz 10 anos com o João e só agora estou realmente entendendo por que ele age assim.´
R.E. - Quais as aplicabilidades dentro da empresa?
Márcio - As aplicações são diversas quando olhamos ao nosso redor e nos damos conta de que quase tudo depende de relacionamento. Mas o foco central acaba sendo o de se tornar um gestor que cria engajamento (paixão pelo que faz e sentimentos de conexão com a empresa), reconhece talentos e cria oportunidades para a manifestação deles no dia-a-dia.
R.E. - Quais as maiores dificuldades de um gestor no que diz respeito às pessoas?
Márcio - A dificuldade de ver pessoas e não clones dele mesmo. Quero dizer com isso que a maioria dos gestores cai num erro básico de olhar para as pessoas como se fosse ele no lugar delas. Percebemos isso nas afirmações, ´...se fosse eu jamais teria feito isso...,´ ou ainda, ´...como ele pode fazer isso, é obvio!´ Este viés no olhar para pessoas é um problema maior do que a maioria gostaria de admitir.
R.E. - A equipe de trabalho reconhece as emoções que atrapalham no sucesso de uma empresa?
Márcio - Reconhecem sim, mas não identificam como emoções. Normalmente citam traços das pessoas, ´...fulano é muito cabeça dura...,ciclano é muito lento..., beltrano é desorganizado...´Estes comentários mostram que há um reconhecimento do problema, mas não necessariamente da causa deles.
R.E. - O que o empresário precisa saber sobre sua equipe para garantir o sucesso de seu negócio?
Márcio - Quem é quem na minha empresa? Quais são os talentos que disponho? Pense em um tabuleiro de xadrez - o cavalo anda em L, o bispo em diagonal, a torre para frente e para os lados. Estes são os potenciais de cada peça do tabuleiro e sobre estes potenciais se traça uma estratégia. Na prática tem muito empresário querendo que o bispo se comporte como a torre. Depois ele se queixa que as pessoas não são comprometidas e não percebe que é impossível se comprometer com um comportamento que não revela nossa identidade, pelo menos a médio e longo prazo.
R.E. - O que fazer ao perceber dificuldades?
Márcio - Se a questão é estratégica, busque apoio em planejamento, se as dificuldades se dão na execução do que foi planejado, comece a se interessar por pessoas! Isso não quer dizer que você tem que gostar das pessoas, mas que necessita se interessar por pessoas. O que as motiva em suas diferenças, porque reagiram desta forma. Procure conhecer mais sobre o ser humano e lembre-se, comece com você!
R.E. - Para cargos de liderança, o que é fundamental saber e conhecer?
Márcio - Primeiro, pessoas não pensam nem sentem e tão pouco agem da mesma forma! Segundo, qual é objetivo que a empresa espera de mim? Terceiro, quem são as pessoas da minha equipe e quais talentos estão a minha disposição? (Todos têm talentos). Por último, qual é o meu jeito de liderar estes talentos na buscas destes objetivos? Eu diria que este é um fenomenal começo.
R.E. - Como o curso Eneagrama contribui na Gestão de Pessoas?
Márcio - O curso aponta exatamente para as questões acima citadas, revelando ao gestor onde ele está travando - Vício Emocional, como ele pode destravar – Neutralização do Vício Emocional e como pode estimular engajamento por meio da identificação e manifestação dos talentos dos membros da equipe.
Márcio Alberto Schultz é psicoterapeuta reichiano, possui formação em Integração Organísmica e Educação Somática. Fundador do Instituto Eneagrama no Brasil, consultor e assessor nas áreas de desenvolvimento pessoal e gestão de pessoas, e há 13 anos desenvolve trabalhos com o Eneagrama, voltados ao autodesenvolvimento e relacionamentos interpessoais do indivíduo na empresa e no contexto social. A seriedade do trabalho foi duas vezes reconhecida pelo Prêmio Qualidade Brasil (2006 e 2007), que promove empresas de destaque em qualidade de prestação de serviços ou no desenvolvimento de produtos. www.eneagrama.com.br
Joel Vieira descobriu que cada pessoa tem uma capacidade específica e privilegiada. Como gerente, após o Eneagrama, aprendeu que liderar é interagir, conhecer a fundo sua equipe e também a si mesmo.
R.E. – O Eneagrama influenciou na sua vida profissional?
Joel - O Curso qualificou minha interação com as pessoas, com minha equipe e principalmente comigo mesmo. Colaborou na percepção daquilo que cada um pode oferecer de melhor e, principalmente, de maneira natural e espontânea, pois com o Eneagrama desenvolvemos a aceitação e a compaixão pelas diferenças entre as pessoas e valorizamos as competências de cada um. Agora planejo, vendo, tomo decisões e delego, analisando também com qual dos nove tipos do Eneagrama estou interagindo.
R.E. - O que mudou - antes e depois do curso?
Joel - Trabalhei na adequação de um profissional da minha equipe por sete meses, para qualificá-lo e com isso atender o que eu estava precisando. E antes do curso eu já tinha um diagnóstico: ele não tem capacidade de atender a necessidade, vou substituí-lo. Depois do curso, identificando seu Tipo no Eneagrama, fiquei certo de suas competências e, com isso, ficou claro o que ele poderia me oferecer de melhor, e esse seu melhor também interessava. Solução: mudei as expectativas que tinha sobre ele e agora busco tirar dele o que ele tem de melhor, e não simplesmente catequizá-lo. Resultado: ele está menos estressado, mais produtivo e motivado, e a empresa satisfeita.
R.E. - Como você aplicou em seu meio pessoal?
Joel - O Eneagrama me ajudou na vida pessoal e profissional. Em casa, minha esposa também já fez o curso, e entre outras melhorias, conseguimos compreender e aceitar nossas diferenças. No trabalho, estou conseguindo facilitar o desenvolvimento da minha equipe, pois sei o que
não devo fazer para que meus colaboradores fiquem estressados, busco definir tarefas e objetivos aproveitando o que eles têm de melhor, e com isso, aumentou a satisfação, cumplicidade e a produtividade da equipe. Outra aplicação interessante aconteceu com meus chefes, cinco diretores, aprendi como lidar com cada um deles: enxergo melhor suas expectativas (“vejo pela mesma janela”), vendo melhor minhas idéias e evito levá-los ao estresse.
R.E. - Que dicas você daria para um líder que vive sob pressão?
Joel - Pare de valorizar as deficiências dos membros da sua equipe, evite desejar que tenham outras habilidades, e com isso, valorize as competências intrínsecas de cada um e defina objetivos respeitando cada perfil.