Quer ter razão ou ser feliz?

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Você quer ter razão ou ser feliz? Em nenhum lugar este questionamento é tão relevante quanto nos relacionamentos. É isso mesmo, acredito que existam inúmeras situações onde ter razão seja mais importante do que se feliz. Mas não é o caso na maioria das situações em um relacionamento.

Pense comigo, qual o principal objetivo do seu relacionamento? Porque você se relaciona de forma estável com outra pessoa? Qual o sentido de investir tanto tempo com alguém? Se você respondeu que é porque esta pessoa precisa de você, me desculpe, mas você está confundindo caridade, ou sentimento de dever com relacionamento. Mas não me entenda mal, não há nada errado com caridade, só que caridade é uma coisa diferente de relacionamento.

 

Um relacionamento só faz sentido e significado se ele lhe trouxer felicidade. Isso pode parecer meio egoísta a princípio, mas não se engane, nós só podemos dar o que temos, ou seja, é necessário que você seja feliz, para compartilhar felicidade.

Mas Márcio, eu ralo tanto para comprar algo e agradar a outra pessoa, isso não necessariamente me faz feliz, mas noto que ela está feliz eu fico feliz. Como é isso então?

 

Hum! Creio que neste momento você já deve ter percebido que felicidade não é algo tão objetivo, que é comum a todo mundo. Mas sim, algo altamente personalizado e subjetivo.

 

Os diferentes tipos de felicidade

 

Para esclarecer um pouco mais sobre esse assunto, vou lhe apresentar  o trabalho de um psicólogo americano chamado Martin Seligman.

Depois de mais de 30 anos dedicados à sua prática em consultório, Seligman percebeu que muito de seu trabalho envolvia atenuar o sofrimento de seus pacientes, mas isso não necessariamente gerava felicidade. O psicólogo chegou a conclusão que eliminar sofrimento e criar felicidade não estão intrinsecamente ligados e podem funcionar de forma independente.

 

Por esse motivo, decidiu dedicar-se a um movimento recente da psicologia conhecido como psicologia positiva. Um movimento que se identifica muito com os resultados de pesquisas obtidas dentro de uma metodologia científica.

Em suas pesquisas Seligman identificou três tipos básicos de felicidade. O primeiro ele chamou de pleasent life, ou como vou chamar aqui, Vida Agradável.

 

A Vida Agradável

 

Esse é um tipo de felicidade que está muito relacionada com a satisfação material e de obter experiências agradáveis. Como ficar em um hotel maravilhoso, fazer uma viagem dos seus sonhos, experimentar sabores sofisticados e como não poderia deixar de ser: consumir. É aqui onde nos perguntamos se dinheiro traz felicidade. Segundo a pesquisa traz sim. É óbvio que todas essas coisas que citei tem o potencial de gerar prazer, satisfação e uma dose de felicidade.

 

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Mas Seligman encontrou dois pontos críticos nesse tipo de felicidade. O primeiro é que grande parte da capacidade de obter felicidade dessas experiências é genético. Isso mesmo, alguns de nós ficam mais felizes do que outros com experiências de consumo. E muito pouco se consegue na tentativa de mudar estes padrões. Claro, você conhece pessoas que não estão muito aí para viajar e ficar em um ótimo hotel, e mesmo quando tem a experiência, revelam que preferiam ter feito outra coisa com este tempo e dinheiro. O mesmo ocorre com o que comem e bebem e com presentes que ganham.

 

O segundo ponto crítico desse tipo de felicidade é que ele oferece um pico de felicidade e uma queda para o estado anterior em um curto espaço de tempo. Além do que, mais do mesmo não mantem o pico. Para exemplificar, imagine que você está provando uma bola do sorvete que você mais gosta. Claro que há um pico de felicidade, mas ele não se mantém se você consumir mais dez bolas de sorvete. Na verdade, vai chegar um momento que você não aguentará nem o cheiro daquele sorvete.

 

Em resumo, o primeiro tipo de felicidade chamamos de Vida Agradável e está relacionada a ter experiências agradáveis.

 

A Vida Boa

 

O segundo tipo de felicidade segundo Seligman, é a Good Life ou Vida Boa. A principal característica desse tipo de felicidade é que acontece quando você utiliza seus pontos fortes para realizar algo. É aqui que a felicidade ganha um outro ponto de vista, não tão imediatista e consequentemente sem um pico elevado.

 

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No relacionamento esse tipo de felicidade se manifesta quando você contribui para a relação com uma qualidade sua que lhe é nata. Por exemplo, se você tem uma habilidade natural para organizar as coisas, desde finanças a ordem física das coisas, o fato de você estar contribuindo com a organização lhe dá um nível de satisfação. Ou ainda, quando você tem mais paciência do que a outra pessoa, ou expressa melhor suas insatisfações, deixando claro o que quer lhe causa também satisfação.

 

Percebe-se que quando você se vê utilizando esses recursos que lhes são natos, para a construção da relação, você tem a sensação de estar contribuindo e realizando algo e isso traz felicidade. O gráfico desse tipo de felicidade não é tão íngreme, mas é mais duradouro do que a felicidade do consumo.

 

Para muitas pessoas esse tipo de felicidade é uma surpresa. Pois ela não acontece quando você compra algo pronto, ou ganha, mas quando faz algo que permita com que ela aconteça. Outra comprovação desse tipo de felicidade eu encontrei nas pesquisas de outro psicólogo social, professor da universidade de Duke, que se chama Dan Ariely. Ele comprova que quando nos engajamos com algo e colocamos algum tempo e energia para que funcione e de certo, criamos um vínculo poderoso com o tema. Ele dá um exemplo típico dos móveis que compramos prontos e aqueles que temos chegam em caixas e você necessita montá-los. No final aqueles que você montou, lhe parecem muito mais importantes do que aqueles que comprou pronto, isso por causa do tempo e dedicação que você investiu para dar certo.

 

A Vida com Significado

 

O terceiro tipo de felicidade é na verdade uma extensão do segundo.  É quando você utiliza os mesmos pontos forte que vimos até então, mas para ajudar o outro. Seligman chama esse tipo de felicidade de Meaningful Life, ou Vida com Sentido ou Significado.

Quando você tem facilidade em se expressar e ajuda a outra pessoa a colocar em palavra o que estava pensando, ou quando tem mais facilidade com a administração do tempo e ajuda a outra pessoa a se organizar para que possa realizar o que deseja. Este tipo de felicidade, segundo as pesquisas é a que mais se prolonga.

 

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Note que em um relacionamento você tem a oportunidade de manifestar os três tipos de felicidade. Tem a oportunidade de viver momentos agradáveis, de investir sua energia para que dê certo e sem dúvida tem a oportunidade de contribuir com a outra pessoa. Mas lembre-se que contribuir não é esperar que o outro faça o mesmo. Mas sim oferecer o seu melhor para a relação e para o bem do outro.

 

Não é engraçado que a ciência tenha chegado no mesmo lugar onde o senso comum já chegou a muito tempo. Que amar tem muito mais a ver com doar-se do que receber. Que no ato de dar amor, você acaba dando mais valor e é mais feliz do que quando recebe amor. Claro que queremos receber amor também, mas o que estamos vendo aqui é que a construção de um relacionamento também é o meio pelo qual fortalecemos nossos laços. Que sem esse investimento da construção facilmente pensamos em “chutar o pau da barraca” no menor vestígio de conflito.

 

Pense comigo, você sai com um possível pretendente a um relacionamento, no jantar a pessoa mostra uma característica pessoal, ele ou ela, fala com a boca cheia. Você não consegue prestar atenção em outra coisa e pensa, não vai passar desse jantar. Mas se o mesmo ocorre com alguém com que você se relaciona a mais de dois anos, você não deixa de notar, mais pensa, ele ou ela tem muitas outras qualidades positivas, não me custa avisar novamente.

 

Essa é a diferença entre ser feliz ou ter razão. Não se trata de certo ou errado, nem de quem fez o que ou quando. Mas da oportunidade de você dar o melhor de sí, e no ato experienciar a felicidade de realizar e contribuir.

 

Por fim é importante lembrar que você tem livre arbítrio para escolher suas experiências e com quem se sente recompensado em contribuir. Mas não se engane com a promessa de que a felicidade está em apenas um destes três tipos. É a capacidade de você desenvolver o seu próprio mix entre essas maneiras de ser feliz que fará com que usufrua de um relacionamento mais feliz, respeitando o mix que a outra pessoa tem.

 

 

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Até mais,

Márcio

Lido 1157 vezes Modificado em Sexta, 21 Outubro 2016 11:17
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