A arte de ouvir

Classifique este artigo
(2 votos)

Atualmente somos constantemente bombardeados com informações, sejam elas visuais ou sonoras, assim fica difícil abrir espaço para arte de ouvir. Além disso, existem muitas formas diferentes de ouvir e que nem sempre são consideradas importantes. Por exemplo, você deve conhecer pessoas que são “todo ouvidos”, têm uma paciência de Jó e acabam servindo de penico para os outros. Esse pode ser um tipo de ouvir, que quando é praticado conscientemente ajuda a libertar as tensões dos outros e propicia um momento para que o outro possa organizar suas próprias idéias.  É aquele ouvir que pergunta, “mas como assim?”, ouvindo até que o outro reconheça suas próprias contradições.

 

ouvir

 

Mas o ouvir mais comum é do tipo “não estou nem aí”, ou seja, aquele que escuta, mas não ouve.  O indivíduo que escuta, está na verdade pensando no que vai dizer, e normalmente diz coisas do tipo “já entendi, já entendi”, porque está impaciente para falar. Tive uma aluna que sofria desse tipo de ouvir. Certo dia ela me relatou o momento exato em que ouviu pela primeira vez.

Ela, professora universitária, confessou que todo semestre escutava de algum aluno a mesma proposta de mudança: “Professora, em vez de fazermos apenas uma prova, não poderíamos dividir a nota em 3 partes, sendo uma apresentação de trabalho, uma prova oral e outra escrita?” Como sua atitude era a de apenas escutar, ela respondia sempre da mesma forma: “eu dou aula há mais de 15 anos e é assim que eu faço e é assim que você vai se formar.”

Quando ela se tocou do quanto escutava sem ouvir, decidiu tentar diferente. Pela primeira vez então, ela escutou a proposta de mudança de um aluno, mas escutou ouvindo e querendo entender. “Foi surpreendente” disse ela, “achei a ideia dele interessante, é impressionante como uma simples mudança interna pode fazer toda uma diferença!” 

 

Voc-sabe-ouvir

 

A maior dificuldade de pessoas como ela (que escutam, mas não ouvem), reside na inconsciência do processo. Não se percebem nesse hábito de se fechar em sua própria razão e, quando menos esperam, se dão conta de que são vítimas de uma surdez.  Depois de admitir a surdez, é que começa o real trabalho pessoal, pois o ego ganhou poder na surdez e vai lançar sua defesa contra a consciência, que agora quer recuperar as rédeas do processo.

Esta é a fase mais dolorida e por isso é melhor não se apegar a ela. Infelizmente, vejo inúmeras pessoas que não “largam o osso”, pois elas interpretam que mudar é reconhecer que estavam erradas e isso dói “afinal, tanto que me esforcei para chegar até aqui!”

É aqui o ponto em que o desapego tem, a meu ver, seu papel mais nobre: abandonar hábitos não construtivos, “largar o osso” e se abrir para o campo das possibilidades. Tudo isso pode ser surpreendentemente simples, se lembrarmos que é mais uma questão de se permitir do que de se esforçar. É preciso esforço para fechar os olhos e negar outras possibilidades. Sendo assim, relaxe que tudo fica mais fácil. 

 

Leia também:

O gestor controlador

Eu observador

Não se distraia com as aparências

 

Até mais,

Márcio

Lido 513 vezes Modificado em Terça, 11 Outubro 2016 17:24

Deixe um comentário

(*) informações obrigatórias

  • Rod. Aroldo Soares Glavan, 4.940
    Cacupé
    CEP 85.050-005 - Florianópolis - SC
  • CNPJ. 00.416.973/0001-06
  • e-mail:O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
  • Acompanhe-nos:
    FacebookYoutubeLINKEDINTwitter

Assine nossa Newsletter


Nome: *
E-mail: *